sábado, 20 de janeiro de 2018

Fabrica de Cauim fictícia - especulações sobre o preparo do Cauim

Cauim Carauna

Imagine um Brasil com uma sequencia histórica paralela, na qual a cultura dos índios prevaleceu sobre a cultura colonizadora portuguesa, e tal qual aconteceu com o sake no Japão, a bebida indígena, o Cauim é produzida em fabricas por diversas etnias e vendidas em lojas, com diversas e ricas características - a seguir especulamos toda a cultura e sabedoria oculta por traz dessa laboriosa bebida. (saiba mais sobre o cauim)

  “Produzir o Cauim industrial é um trabalho essencialmente brasileiro e essencialmente Tupi. Trata-se muito mais do resgate das nossas raízes do que da elaboração da bebida alcoólica em si”. Com essas palavras Luiz Pagano iniciou sua apresentação oficial do processo de produção do Cauim no dia 16 de marco de 2014, no Pavilhão Japonês do Ibirapuera. “Depois de quase cinco anos de pesquisa, em um trabalho quase totalmente solitário chegamos ao básico, sem se esquecer que parte fundamental desse trabalho é o de usar o máximo de tecnologia Tupi possível”.

O interesse na bebida teve inicio em 2008, quando Pagano visitou uma reserva indígena e presenciou uma cauinagem, uma festa tribal na qual toda a toda a aldeia, e pede quanta panela houver, de todas as casas e bebem a bebida obtida com a fermentação da mandioca.

Luiz Pagano, com mais de 20 anos de experiência no mercado de bebidas alcoólicas, já é tido como o criador do cauim industrial, muita gente tem seu nome fortemente associado ao Cauim, colegas do mercado e também gente da comunidade de alunos de língua Tupi/Nheengatu; “quem? o Luiz Pagano do Caim?” a ideia original por tras da bebida pode ser vista na matéria de seu blog na postagem na postagem de 2012  e postagem de 2013
Foto da esquerda: Apresentação oficial do processo de produção do Cauim no
 dia 16 de marco de 2014, no Pavilhão Japonês do Ibirapuera

Foto da direita: Entusiastas do Cauim - estrela do bar e barista Rabbitt, sommelière e estudiosa
de diversas categorias de bebidas alcoólicas Pri Mallmann e Luiz Pagano.

Similaridades com o Saquê

A festa da cauinagem e a relação da bebida com a espiritualidade de nossos índios é muito similar com a relação que o saquê tem com a religião xintoísta no Japão.

Ambas as culturas compartilham de muitos elementos em comum, dessa forma Pagano vem fazendo um trabalho conjunto com uma das maiores Sommelières de Saquê presentes no Brasil, Hikaru Sakunaga (作永ひかる) “nosso trabalho ainda está em seu estagio embrionário, mas com resultados promissores” acrescenta Pagano.


Técnico de fermentação da etnia Kalapalo inspeciona câmaras de fermentação subterrâneas 


A seguir, Luiz Pagano apresenta o processo de produção industrial do Cauim, com todos os processos descritos em Tupi-Antigo, tradução e trabalho de apoio do Professor Emerson Costa.

O processo ainda está em fase de aprimoramento e registro nos órgãos responsáveis de propriedade intelectual e Ministério da Agricultura.

POCESSO DE PRODUÇAO INDUSTRIAL DO CAUIM EM TUPI ANTIGO
Por LUIZ PAGANO

“Minha primeira e grande dificuldade na produção industrial do Cauim foi promover a quebra do amido de mandioca, isso porque todas as etnias que o produzem, fazem uso da amilase presente em suas salivas, fazendo com que as mulheres virgens da aldeia as mastiguem e cuspam.

Criação do processo de produção

Primeira série de tentativas – Mastigando a mandioca - Comecei meus experimentos no ano de 2008 do zero.

Em setembro de 2013, empreendi minha primeira tentativa de produzir o cauim, fiz exatamente como os índios faziam, comprei uma ugaçaba (panelas de barro para se fazer o beiju), alguns kutés (mexedores de beiju) e demais utensílios dos próprios índios, na esperança de que os fungos endógenos dos mesmos me ajudassem no processo ( Veja postagem no blog sobre esses experimentos ).
Primeira tentativa de produzir Cauim

A parte mais interessante desse processo foi que eu e minha esposa mastigamos a mandioca e cuspimos, para transformar amido em açucares com enzimas de nossa própria saliva. O resultado foi um cauim que parecia um mingau, com baixíssima graduação alcoólica, grande frescor, mas nada higiênico (em questão de dias o odor característico da formação de bactérias dominou a bebida).


Utensilios de preparo e degustação de Cauim, pote de esporos, garrafas e livro com receitas sobre uma ugaçaba


Segunda série de tentativas – Nessa fase utilizei a farinha para tapioca e promovi a quebra do amido em açúcar com α e β-amilase e para fermentação usei Saccharomyces cerevisiae indicada para cerveja de alta fermentação. O resultado foi um mingau com maior graduação alcoólica mas com um estranho sabor neutro, onde a levedura permanecia evidente.
Segunda série de tentativas de se produzir o Cauim - a α-amilase é uma enzima de cor parda que acabou dando certa tonalidade a bebida

Foi então que decidi fazer o processo japonês, tal como o dos saquês, com a adição de esporos (koji), dessa forma o sabor e complexidade do Cauim ganham infinitas possibilidades.

Uma vez criado o processo, chamado de ‘Kaûĩ apó’ e a Mestre Cauineira, profissão que em teoria só poderia ser conduzido por mulheres passa a ter o nome de ‘Kaûĩ apó sará’ (mulher que prepara o Cauim) e sua sommelière passa a se chamar 'Kunhã Maku' (mulheres servidoras).

A data oficial do nascimento dessa bebida foi 12 de outubro de 2015, dia em que o processo com os nomes em tupi ficou pronto.

Saiba por que dia 12 de outubro foi escolhido como o dia do Cauim:

1 - Dia foi escolhido pela espiritualidade de 3 etnias diferentes;
2 - Dia de nossa Senhora, padroeira do Brasil;
3 - Dia de aparecimento das primeiras flores no Pau-Brasil, em SP, em 2015;
4 - Proximidade com a abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas;
5 - Foi (coincidentemente) o dia que conclui a descriçao em Tupi-Antigo do processo de fabicaçao.

A seguir, veja os processos em Tupi-Antigo:
1 – Mbeîu apó (Preparo da Tapioca, ou Beiju) -

1 – Mbeîu apó (Preparo da Tapioca, ou Beiju) -
Em tupi Mbeîu apó  significa "fazer o beiju" o processo tem inicio quando preparamos a tapioca.

Nas primeiras tentativas, a tapioca feito da forma tradicional perdia humidade muito rapidamente e o Koji parava de crescer.

Apos uma serie de tentativas, inclusive uma na qual humedecia as tapiocas, cuja o nome em tupi foi Mbeîu moakyma (Embeber o Beiju), também se mostraram ineficientes.

A boa noticia desse processo é a grande área de exposição de amido (e menor área de Zatsumi) para a ação dos esporos;
2 - Mbeîu moakyma (Embeber o Beiju) –

2 - Mbeîu moakyma (Embeber o Beiju) –
Em seguida o beiju foi embebido em água — esse processo não rendeu resultados satisfatórios;
3 - Mbeîu motimbora (colocar o beiju no vapor) –
















3 - Mbeîu motimbora (colocar o beiju no vapor) –

Aqui sim temos o processo pertinente. ao colocarmos o beiju no formato de pérolas de mandioca ( aîpi porang - literalmente = bela mandioca ),  para cozinhar, após uma boa lavagem superficial, na qual removemos todo pó de mandioca e amido residual, coloquei com agua numa panela que difere bastante do tradicional Akushiki japonês.

Após alguns minutos levei para um recipiente que desenhei com o propósito de simular as condições da sala do Koji (Koji Muro) para elevar a temperatura para 40,4ºC e fornecer as condições de humidade mais adequadas para o crescimento do fungo. ;
4 - Sabẽ nonga (Colocar os esporos) – a esquerda vemos uma coluna de mesa com serpentinas de aquecimento que dei o nome de Motimbora (vaporizador). Nela consigo manter a temperatura de 40,4ºC e humidade adequada para o crescimento do fungo 
4 - Sabẽ nonga (Colocar os esporos) – 
Para polvilhar os esporos usei uma peneira de índios Tikunas, na esperança que esporos endógenos se combinassem ao koji japonês que usei. Nesse processo denominado Sabẽ mbeîu moe’ẽ ( o esporo torna o beiju sápido) os esporos crescem por 48 horas.

A esquerda vemos a esquerda os aîpi porang afetados pelos fungos e a direita o mesmo grão sem ser afetado (controle) após 20 horas

5 – [Sabẽ] mbeîu rygynõama nonga (colocar o [mofo] com que o beiju fermenta) - 

5 – [Sabẽ] mbeîu rygynõama nonga (colocar o [mofo] com que o beiju fermenta) - 
Nessa etapa adiciono mais 3 a 4 porções de arroz afetados pelos fungos, para produzir algo parecido com o Moromi japonês, a cepa de fungos (levedura) é adicionada para promover a fermentação alcoólica (fermentar: haguino, vu), num processo conhecido como fermentação Paralela múltipla, na qual a quebra de amido em açucares acontece no mesmo momento que a fermentação alcoólica;
A esquerda o Tembi tarara (estandarte do Kauim com 8 nichos, representando os oito passos para a produção do Cauim, e o Tykueryru - garrafa ritualística pendurada nas fachadas assim que o cauim fica pronto. Amarrada com folhas verdes de palha ou pitangueira, com o passar do tempo vão ficando pardas, dessa forma indicanco o quanto o Cauim é fresco - diversas etnias indígenas penduram os tykueryrus na frente das Kaûĩ apoha (fabricas de Cauim) para mostrarem o quão fresco o cauim está.


6 - Haguino (fermentação alcoólica) –












6 - Haguino (fermentação alcoólica) –
O Hauguino acontece por mais de dez dias em temperaturas baixas, de preferencia abaixo dos 15ºC (5ºC ~ 14ºC);

7 - Mbeîu mogûaba (coar/peneirar o beiju) –















7 - Mbeîu mogûaba (coar/peneirar o beiju) – 
Aqui nós separamos o cauim fresco do bolo de mandioca.

O processo mais indicado para se fazer isso é colocar em sacos de algodao, de 8 litros e e submete-los a uma prensa, tal qual se faz com o saquê ;

Na sala de crescimento do Koji, técnico Kalapalo conduz o processo de Sabẽ mbeîu moe’ẽ ( o esporo torna o beiju sápido)

8 – Pasteur rupi kaûĩ rerekó (pasteurização) - 



















8 – Pasteur rupi kaûĩ rerekó (pasteurização) - 

literalmente, Pasteur rupi kaûĩ rerekó significa "tratar o cauim segundo Pasteur";
9 – [Ybyraygá pupé] kaûĩ moymûana (tornar o cauim antigo [no barril]) - 














9 – [Ybyraygá pupé] kaûĩ moymûana (tornar o cauim antigo [no barril]) - 
o Cauim pode ser envelhecido em barril, nessas primeiras experiencias sugerimos o barril de amburana;
10 – Kaûĩ moîese'ara (Blending) - 















10 – Kaûĩ moîese'ara (Blending) - 
Literalmente Kaûĩ moîese'ara significa "misturar cauins";
11 – Y nonga (corte com água) - 

















11 – Y nonga (corte com água) - 
O corte é feito para equilibrar a graduação alcoolica, que deve permanecer entre 11 a 16%, dependendo to tipo de Cauim que se deseja;


Mestre Kauinero Ashaninka


12 - Kamusi pupé kaûĩ moina (engarrafamento) - 















12 - Kamusi pupé kaûĩ moina (engarrafamento) -



literalmente Kamusi pupé kaûĩ moina significa "colocar o cauim no vaso".

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Heróis da Bruzundanga a Primeira HQ Tupi Pop

Luiz Pagano no lançamento da revista 'Os Heróis da Bruzundanga', no ultimo dia 17 de dezembro, na livraria Monkix da Vila Madalena
A cultura Tupi-Pop sai do campo virtual e passa a ser prototipada nesta primeira edição da História em Quadrinhos 'Os Heróis da Bruzundanga', na qual heróis brasileiros, baseados nas obras de Lima Barreto combatem o crime na turbulenta terra da Bruzundanga. A trama se passa no ano de 2093, numa linha do tempo alternava na qual Policarpo Quaresma não morreu e o presidente Floriano Peixoto adotou as reformas por ele apresentadas duzentos anos atrás, o Brasil é uma terra de muita prosperidade cuja cultura é cultuada no mundo todo.

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O lançamento da HQ ocorreu no ultimo dia 17 de dezembro, na livraria Monkix da Vila Madalena.

Não foi a toa que as obras de Lima Barreto servem de pano de fundo aos Heróis da Bruzundanga, a genialidade de Barreto é atemporal em mostrar o amor pelas coisas do Brasil, com seu bom povo de coração humilde e atitude pacifica, que mal se vê capaz de empenhar sua força no conflito contra impunes vilões, de caráter retorcido, presentes em nossa vida cotidiana.
Tarde de autografos na livraria Monkix. a direita, Hot Toys articulados do cangaceiro Assum Preto, a india Mani e descendente de Policarpo, o Visconde Quaresma.

 Os Heróis da Bruzundanga surgem no já extenso panteão de deidades do mundo comics, trazendo a inusitada e quase impossível tarefa de resgatar a dignidade de sua gente. Tal qual no livro Os Bruzundangas de 1923, Lima Barreto pinta o Brasil como o país perfeito, de economia invejável e infra estrutura copiada pelas principais nações do mundo, muito diferente da sofrida Bruzundanga, com suas graves mazelas - este sim claramente baseado no Brasil real.

 Ocasionalmente vemos romances nacionais transformados em HQs, mas é muito raro vermos uma HQ que tome como base para criação de seus heróis, historias da literatura e da tradição oral dos mais de 300 povos brasileiros, traduzidos em situações de perder o fôlego, por este incansável estudioso dos temas brasileiros. Pagano narra com estilo próprio a saga de heróis improváveis e charmosos, vilões poderosos e misteriosos, vivamente mal-intencionados e de poderes praticante insuperáveis. O traço acadêmico, que Pagano domina com maestria, aparece aqui na forma de traços de mão solta, simples e trêmulos, como mero expediente refinado de um grande contador de historias.

Alem da Monkix, a obra ainda pode ser encontrada nas livrarias geeks da cidade de São Paulo, bem como na loja virtual PopUp Draw

Divirta-se

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A Antropogistonia pode ser tão perigosa quanto um holocausto nuclear

Antropogistonia é a paralisia das pessoas no planeta Terra, uma lacuna entre a ação e a ideação,
 que poderia nos levar a aniquilação total
Todos nos sabemos a importância de reciclar o lixo, de combater a dispersão indiscriminada de CO2 na atmosfera e o quanto a vida nesse nosso pequeno planeta é frágil, e ainda assim, nos mal começamos a desenhar políticas que garantam a qualidade de vida para as nossas futuras gerações.

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A devastação que os antigos Maias provocaram em suas terras, junto com a derrubada indiscriminada de arvores para construção de seus templos, provocaram uma seca centenária, que os fizeram responsáveis diretos pela degradação de sua micro região, cuja o preço foi a extinção de sua própria civilização. Os Rapa Nui da ilha de Páscoa e os povos da mesopotâmia, também cometeram o mesmo erro.  Diferentemente desses povos, nos temos a exata consciência dos riscos de nossas atitudes e ainda assim, continuamos no curso da autodestruição.

A pergunta que se faz é “Por que não paramos agora com atitudes autodestrutivas e criamos regras e estratégias serias, com o propósito de garantir o bem estar de nossas gerações futuras, para por exemplo, daqui a 500 anos?

A biomimética nos dá a resposta, trata-se da Antropogistonia (do grego - οι άνθρωποι της Γης; povo da Terra, e do latim ‘tonus’ do Latin; tensão) termo usado pelo blog Blemya, para descrever a paralisia das pessoas do planeta Terra, devido a tensão causada pelo pânico, que as impossibilita de ter atitudes mediante a um problema evidente.
Um sarué se fingindo de morto - Playing possum

Playing possum (fingir-se de morto tal qual um sarué), ou a imobilidade tônica (em inglês; Tonic immobility - TI) é um comportamento o qual alguns animais se tornam temporariamente paralisados e sem resposta a estímulos externos. Na maioria dos casos, isso ocorre em resposta a uma ameaça extrema, como a de ser capturado por um suposto predador. Esta morte aparente pode ser utilizada como um mecanismo de defesa ou como uma forma de mimetismo de ultimo recurso, ocorrendo naturalmente numa grande variedade de animais. Tal comportamento ficou popular depois de aparecer num episodio da serie de TV Mythbusters, no qual uma cabra miotônica, condição também conhecida como o bode ‘desmaio-de-cabra’, congela os músculos por cerca de 3 segundos quando o animal se sente pânico, e como resultado o animal entra em colapso, e caia de lado com as patas rígidas.

Outra possibilidade é a de que temos um vão entre ação e ideação, causado pela nossa falta de capacidade de aplicarmos a inteligência em seu âmbito mais completo.  De acordo com Neil deGrasse Tyson, divulgador cientifico da serie COSMOS, levando em consideração o tempo em que surgiu a vida na terra, nossa inteligência é extremamente recente e não faz parte ativa de nossos reflexos de sobrevivência. Ainda não sabemos bem como lidar com ela, um bom exemplo é a forma que a inteligência de milhões de pessoas foram e ainda é ingenuamente manipulada por lideres políticos e/ou religiosos, para os mais diversos fins.

Um predador ao avistar sua presa, instintivamente fica contra o vento, se esconde na relva e cria estratégias de caça bem formuladas por reflexo. No nosso caso, esse vão entre o que sabemos ser o certo por raciocínio, e a efetiva colocação dessas estratégias em pratica nos torna estáticos.

A alegação recorrente é que a profilaxia é cara. Bom então espere para ver o preço dos remédios – medidas de controle ecológico como a despoluição e manutenção de vida nos rios, a responsabilidade das empresas reciclarem suas próprias embalagens apos o uso do consumidor (extended producer responsibility - EPR), entre outras, realmente podem ter custos adicionais que afetem o resultado final das empresas, mas acredite, o remédio pode ser exponencialmente mais caro conforme o tempo passa.

Nos estamos confortáveis em um sistema econômico que surgiu quando o ar, os rios e os mares pareciam ser recursos ilimitados e que jamais seriam alvo de algum dano causado por nós. Seguimos nosso curso míope, com fins evidentemente fatais, esperando que alguém mude as regras do jogo. A triste conclusão que nossa civilização antropogistônica talvez chegue é que talvez isso nunca possa acontecer.

A cura para antropogistonia pode ser encontrada também com a ajuda de estudos biomiméticos, mas nós já estamos conscientes sobre a nossa doença, pelo que podemos ter a chance de curar-nos inserindo-nos, cada um de nós no processo de cura individual da natureza.

sábado, 28 de maio de 2016

Similaridades entre o Cauim e o Saquê

Luiz Pagano visitou tribos indigenas para pesquisar o cauim, acima, Daimon Yasutaka explica a relação do saquê com as religiões Japonesas
As últimas pesquisas sobre o Cauim e como essa bebida poderia ser produzida em grande escala, com elevado padrão de qualidade, gerou uma série de dificuldades, que curiosamente, só obtiveram solução quando foi pesquisado os antigos métodos de produção do saquê.

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O saquê e o cauim tem muito em comum, há quase dois mil anos atrás, os  japoneses acreditavam que o saquê só poderia ser produzido se o arroz fosse previamente mastigado por virgens, conhecidas como bijinshu 美人酒 ou ʺas belas mulheres do saquê”, o mesmo acontece aqui no Brasil, tribos de quase todas etnias indígenas, contam com virgens que mastigam a mandioca e as cospem num tacho para que essa possa fermentar.

De fato, a fermentação alcoólica só acontece quando fungos transformam açúcares em álcool, tanto o arroz quanto a mandioca não contem açucares em natura, portanto não estão prontos para a fermentação alcoólica, por isso a mastigação, que não precisa necessariamente de mulheres virgens, torna-se necessária, pois a saliva humana contem uma enzima chamada amilase, que quebra moléculas de amido em açucares.

Tribos indígenas produzindo cauim em comparação com antigos japoneses produzindo o saquê

Os japoneses bebiam saquê antes mesmo de seu primeiro contato com a China. O Kojiki (古 事 記), "Registros de Assuntos Antigos", escrito durante o período Nara (710-94) sugere que o primeiro saquê no Japão foi o chamado Kuchikami no sake, (口噛みの酒) ou "saquê-mastigado-na-boca".

Outras culturas produziram vinhos de amido ao redor do mundo, o Chicha feito de milho na America central, o Cheongju um tipo de vinho de arroz da Coréia e o Hariya, também feito de arroz na Índia.

É bem sabido que muito antes da chegada dos europeus, povos da vindos Ásia já viviam nas Américas. A tribo Zuni tem deixado os antropólogos perplexos com o seu idioma, eles falam um idioma tão semelhante ao japonês que dificilmente poderia ser tida como coincidência.

Algumas palavras semelhantes, como por exemplo; 'dentro' em japonês é "uchi", em Zuni também é "Uchi", a palavra usada em japonês para o 'Sim' é 'Hai' para ambas as línguas, e assim prossegue por diversas outras palavras. Ambos Zuni e japonês usam o verbo como a última palavra de uma oração, uma característica presente apenas em 45% das línguas. Isso pode não parecer muito, mas a língua Zuni é muito diferente dentre outros idiomas falados na região.

Acima - uma roseta Zuni, abaixo - o selo imperial do Japão - Veja como a pintura facial se assemelha às mascaras de kabuki japonesas

Davis; Nancy Yaw; "O enigma Zuni," NEARA Jornal, 27:39, Verão/Outono 1993. NEARA = New England Antiquities Research Association.

Minha pesquisa sobre a produção do cauim, que iniciou-se com a mastigação, levou-se em seguida ao uso de amilase sintética e fatalmente levou-me a usar os fungos, técnica usada no Japão, bem como aqui no Brasil por produtores de Tiquira do estado do Piauí e Maranhão.

De forma metódica fui levado a visitar fabricas no Piauí, Maranhão e por fim no Japão, lugar onde tive um insight iluminador.

Sou formado em negócios internacionais, eu queria conhecer a cultura dos povos do mundo, depois da frustração inicial no mercado financeiro, tenho encontrado nas bebidas alcoólicas o veículo perfeito para me tornar íntimo do cultura dos povos. As bebidas alcoólicas vão muito além de meros fluidos que nos deixam bêbados, elas estão intimamente relacionados com a alma humana.

Tome um vinho da Borgonha e entenda o espírito de seu povo, o vinho está intimamente ligado a religião católica, é parte essencial da eucaristia e com isso, videiras foram testadas em igrejas de diversas partes ao redor do globo terrestre, gerando vinhos que exprimem de melhor ou pior forma nos mais diversos terroires ao redor do mundo.
Luiz Pagano bebendo em uma cabaça - para beber cauim e/ou suas variações os povos indígenas brasileiros seguram a tigela com as duas mãos, num gesto contemplativo como povo japonês faz.

O mesmo acontece com o saquê, que está intimamente relacionado as religiões xintoístas e budistas no japão.

As crenças religiosas tradicionais do povo japonês, tal como a maioria dos povos indígenas brasileiros, são baseadas em uma mistura de respeito pela abundância da natureza, um medo de desastres naturais e respeito por antepassados. O conceito de Deus no Japão não é o de um criador onipotente de todas as coisas como nós acreditamos no ocidente.

De acordo com Daimon Yasutaka, produtor de saquê japonês em sua sexta geração, dono da Daimon Brewery, produtora de Mukune Junmai Ginjo e Tozai honjozo e Nigorion, a frente da Associação Japonesa de Exportadores de Saquês (SEA) o "naorai", o ato de oferecer primeira dose de alimentos e bebidas aos deuses está relacionada com festas anuais, chamados "matsuri" no Japão (idéia muito semelhante é encontrada em tribos indígenas brasileiras).

Viagem de Luiz Pagano ao japão para pesquisar koji - ao lado direito - Luiz Pagano pedindo em templo budista bençãos para o projeto de Cauim

Todo esse rico envolvimento espiritual que percebi com a viagem, junto com o enorme conhecimento acumulado por centenas de anos do povo japonês, me fizeram perceber que as diversas variedades de Koji (麹菌, kōji-kin, fungos usados para substituir a saliva das virgens), junto com as múltiplas particularidades de produção, que vão muito alem da simples quebra de amido para se obter o álcool, (diferentes tipos de koji também tem a propriedade de quebrar proteínas e os lipídios, oferecendo múltiplas opções), alcançando um infinito leque de opções de sabores, que somente o espírito de um artista é capaz de conceber.

Contemplem! Um novo mundo de sabores está prestes a se apresentarem quando as primeiras garrafas de cauim começarem a saírem d diversos produtores brasileiros.

Capivaras mobilizadas para salvar os rios brasileiros

A capivara é uma embaixadora da natureza, ela se atreve a chegar às cidades brasileiras e nadar em seus rios densamente poluídos. Capivara Parade foi criada em 2008 por Luiz Pagano, com o objetivo de chamar a atenção pública para a indiferença que os administradores públicos têm com as águas brasileiras (rios e lagoas) das principais cidades.
No último dia 23 de maio, na cidade de Curitiba, foi lançado o "Capi Parade' no mesmo formato da CowParade de Pascal Knapp, no Palladium Shopping Center, "A capivara é um símbolo de Curitiba, além de ser um animal extremamente adaptável é freqüentemente encontrado em ambientes alterados pelo homem", diz a gerente de marketing Palladium, Maria Aparecida de Oliveira, que decidiu expor 8 capivaras em alusão ao oitavo aniversário inauguração do Shopping.

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De acordo com Luiz Pagano, criador do movimento 'Capivaras Parade', a mobilização pública que levou à descontaminação de rios em outras cidades do mundo, como o rio Tamisa em Londres e do Rio Han na Coréia do Sul, não aconteceu no Brasil, o 'Capivaras Parade' foi criado em 2008, com a finalidade de chamar a atenção pública para a indiferença que os administradores públicos têm para águas brasileiras.

Após o incidente de Mariana na qual a represa retendo a água com minério de ferro e dejetos de mineração contaminou rios, no estado de Minas Gerais, e alguns meses antes da abertura de Jogos Olímpicos, com as águas da baía de Guanabara completamente sujas, as autoridades brasileiras realmente mostram total inépcia com respeito ao cuidado básico que os rios e lagos de quase todas as cidades brasileiras devem ter.

E é neste cenário que a capivara aparece como uma heroína, a maior roedora do mundo que habita as florestas do Brasil, corajosamente aparece nadando em rios de cidades altamente poluídas de São Paulo e Rio de Janeiro e andando em grupos ao longo de suas margens.

"A capivara é uma embaixadora da natureza, se atrevem a chegar nas cidades e nadar nos rios e lagos que os homens degradaram, elas parecem mostrar-nos como num protesto, que os rios de nossas cidades não são latrinas, mas espaços para a vida e beleza", diz Luiz Pagano.

A exposição no Shopping Palladium em Curitiba, que começou no dia 23 de maio, vai até 5 de junho. Nos dias 4 e 5 de Junho, as crianças que passam pelo shopping poderão pintar mini-capivaras de gesso. "A intenção do Palladium é a conscientizar as crianças sobre a preservação da natureza, bem como proporcionar uma experiência lúdica de pintura", acrescenta a gerente de marketing.

Concept artist Luis Pagano na abertura do 'Capi Parade', promovido pelo Shopping Palladium - o animal é também símbolo da cidade de Curitiba, uma das cidades mais sustentáveis no Brasil

Para celebrar o Dia Mundial do Ambiente, de 6 de a 12 de junho. a Capi Parade sai em bando para a exposição itinerante em diversos pontos turísticos de Curitiba, no final da ação, as peças serão doadas e leiloadas pelo parceiro da ação, o leiloeiro Helcio Kronberg. O valor arrematado com o leilão, a comissão do leiloeiro bem como o trabalho dos artistas são doções e serão revertidos em cobertores para a Campanha Doe Calor, da Prefeitura de Curitiba realizada por meio do Instituto Pró-Cidadania e Fundação de Ação Social (FAS).

O evento também conta com a participação de celebridades brasileiras, a "Capivara Bi-articulada' teve intervenção artística do arquiteto e urbanista Jaime Lerner, em referência ao ônibus criado por ele, outra usa uma camisa da seleção brasileira de futebol que será autografada após o leilão por Pelé, o rei do futebol, com exclusiva dedicatória ao licitante vencedor.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

As malas da Maria Eugenia - Adotada MTV

Maria Eugenia "Adotada MTV" - com seus 'Cameos' nas Malas 
No final de fevereiro, Luiz Pagano foi procurado por sua sobrinha Maria Eugenia Suconic, protagonista do reality Adotada MTV para criar os rostinhos apresentados nas malas e em outros objetos que aparecem na segunda temporada do programa.

“As malas não poderiam só ter as imagens do rosto dela, deveriam ir além. Os desenhos devem carregar constantemente parte da personalidade dela, onde quer que ela vá”, descreve Pagano.

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Para dar segmento aos desenhos o artista resolveu adaptar a antiga arte dos camafeus.

O uma das explicações para o termo camafeu, é de que tem origem na palavra "Cameo" ou “Kame'o”, usada na linguagem cabalística para designar um "quadrado mágico", i. e. uma espécie de talismã usado pelas senhoras que encomendavam essas pecas esculpidas em conchas.
Nessa temporada  Pagano adota o grafismo e semiotica das grifes de luxo

A técnica, desde então, vem passando por ressurgimentos periódicos, no início do Renascimento, e novamente nos séculos 18 e 19. O renascimento neoclássico começou na França, com o apoio de Napoleão.

Por que Cameo? - responde Pagano “Não posso usar o termo camafeu, pois nesse caso as conchas, tradicionalmente usadas como base para produzir os camafeus, foram substituídas por malas. Decidi então usar o termo cabalístico ‘cameo’ como uma forma de desejar boa sorte para minha sobrinha nessa nova temporada.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Chocolate e Cupulate - desde a floresta amazônica para a mesa dos melhores restaurantes internacionais

Instalações da Dona Nena na ilha do Combu
Quando os clientes sofisticados de restaurante DOM em São Paulo Brasil comer suas sobremesas exóticas feitas com chocolate da Dona Nena, eles não são capazes de perceber a seqüência impressionante de gestão de idéias, recursos e pessoas mobilizadas para que este chegue em suas mesas.

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Antes de ir além com essa matéria, é importante que se diga que, para comemorarmos os 15 anos de vida e 7 anos do Blog, após uma longa historia de geração de idéias, nos da Blemya resolvemos sairmos do escritório e irmos para campo, para pesquisar um lindo trabalho de talento, de gente e de ciência - a historia dos chocolates e cupulates da Dona Nena, da ilha do Combu.

Junto com o time de mixologistas da Pernod Ricard criamos o projeto Tembi-u (do Guarani neológico "tembi'uapokuaa" que literalmente significa "saber ou ciência de fazer comida"), com o objetivo de levar elementos de excelência da cultura brasileira para a coquetelaria e gastronomia mundial.
Time do Projeto Tembi-u

Para chegarmos as instalações de Dona Nena, partimos de Belém rumo a Ilha do Combu, pelo rio Guamá, são três quilômetros via voadeiras, uma embarcação típica da região amazônica.

Foi somente em 2006 que Dona Izete dos Santos Costa (Dona Nena), que já vendia objetos com o fruto do cacau, chamadas de biojoias, passou a vender uma antiga receita familiar de chocolates e brigadeiros na praça Batista Campos, em Belém PA.

Tudo ia bem, mas um problema levou Dona Nena a ter a primeira de muitas boas idéias.

A amêndoa do cacau usada para fazer o brigadeiro era moída no pilão, método trabalhoso e cansativo. Ao pensar em algo que pudesse moer com menos esforço, encontrou no moedor de carne uma alternativa viável, com isso não só tinha menos trabalho para fazer as receitas como também verificou que a qualidade da massa havia melhorado muito.

Dona Nena protegendo a caixa de abelhas do ataque das formigas

Ela percebeu que o grão ficava mais fino e o processo, ficara mais higiênico, alem do que, conseguiu dar liga à massa sem precisar adicionar açúcar, criando uma fórmula de chocolate 100% cacau.

A sua nova receita foi descoberta pelo chef paraense Thiago Castanho, do Recanto do Peixe/do Bosque e com isso as deliciosas barrinhas de chocolate embaladas na folha do cacaueiro, cacau em pó, brigadeiros e nibs (granulado de cacau que cobre o brigadeiro) foram para ainda alem do estado do Pará e chegaram ao premiado restaurante D.O.M. do chef Alex Atala,

Caixa de Abelhas no padrão EMBRAPA para abelhas da espécie uruçu-amarela (Melipona flavolineata) 
Ela não parou por ai, desenvolveu também o chamado ‘Cupulate’, barrinhas e brigadeiros feitos não com massa de cacau, mas sim com a mucilagem do cupuaçu. O resultado é de uma sobremesa deliciosa, rica em aminoácidos ainda mais doce que o chocolate e menos amargo.

Até mesmo a frutificação dos cacaueiros e dos cupuaçuzeiros tiveram interferências cientificas, com o objetivo de respeitar o meio ambiente. Dona Nena acrescentou ao seu já grande repertorio de inovações a meliponicultura, num projeto em conjunto com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Amazônia Oriental e Universidade Federal do Pará, os recurso vieram de uma financiamento do CNPq.
Abelha da espécie uruçu-amarela (Melipona flavolineata) 

Cinco caixas de abelhas sem ferrão da espécie uruçu-amarela (Melipona flavolineata) foram instaladas na propriedade de Dona Nena, na ilha do Combu.

Alem da disseminação da meliponicultura e à educação ambiental resultante, essas iniciativas mudam para melhor a vida da população ribeirinha ao redor de Dona Nena, “essas abelhas não polinizam só o cacau e o cupuaçu”, afirma ela, “mas também auxiliam na frutificação de outra importante fonte de renda aqui da ilha, o açaí".

Palestra de Luiz Pagano na qual ele explica os desenvolvimentos do projeto Tembi-u 
Segundo o pesquisador Cristiano Menezes, o objetivo  é capacitar a produtora nas técnicas de manejo das abelhas sem ferrão e demonstrar os resultados para os demais moradores da ilha, como forma de atraí-los para a atividade. Além da polinização de espécies frutíferas como o açaí, as abelhas uruçu-amarela produzem mel que pode ser explorado como fonte de renda.

Os próximos passos envolverão visitas para demonstrar as técnicas de alimentação artificial dos insetos. "Como nesta época do ano a produção de mel é reduzida em função da baixa quantidade de flores disponíveis, as abelhas necessitam de alimentação suplementar", explicou o pesquisador Cristiano Menezes. Com o fim do período de chuvas, as florações se intensificam e as abelhas voltam a produzir mel.

chocolate e cupulate embalados na folha do cacaueiro, cacau em pó, brigadeiros e nibs (granulado de cacau que cobre o brigadeiro) 



O Porjeto Tembi-u e Blemya prometem ser o inicio de uma serie de atividades de valorização das pessoas e suas culturas em projetos econômicos viáveis e sustentáveis.

Blemya 15 anos

Historia da Blemya  - Luiz Pagano & Mauricio Bozzi - importação de vodkas da Russia
Веда – русская водка
No ano de 1997, me associei a Mauricio Bozzi, um grande vendedor e um grande amigo para criamos uma empresa especializada na colocação de produtos com algum tipo de dificuldade de introdução de produtos no mercado, a Bozzi & Pagano.

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O começo foi bem prospero, tínhamos a representação da linha de fogões industriais da Dynamic Cooking Systems, concorrente da também americana Viking e também terceirizávamos a equipe comercial do energético austríaco Flash Power, enquanto essa categoria ainda não tinha uma legislação especifica no Brasil, os negócios iam de vento em poupa.

Nos sentíamos privilegiados por termos tanta sorte nos negócios, viajamos, estávamos sempre em festas e encima de grande felicidade discutíamos como nosso mudo poderia ser melhor.

O Mauricio era um cara muito empreendedor, com foco em ganhar dinheiro, mas também curtia ajudar amigos em necessidade. Era comum nos juntarmos para fazer volumosas compras em um supermercado para amigos desempregados, ou juntarmos roupas para doações. Em 2008 vivíamos o boom dos energéticos, ganhávamos mais dinheiro do que precisávamos e passamos a dedicar parte de nossos ganhos para ajudar amigos necessitados.

Blemyas ao passar dos anos

Devido a uma certa imaturidade de nossa parte na época, nos escondíamos de nossas esposas esses ‘gastos com amigos’ e cada vez que elas perguntavam sobre onde estava dada quantia em dinheiro que tínhamos ganhado, dizíamos que uma ‘mosntrinha’ o havia devorado, dando a entender que havíamos gasto com uma possível amante.

Algum tempo depois, o Mauricio passou a trabalhar como empregado da Flash Power e eu tentava manter viva a empresa Bozzi & Pagano por minha própria conta. No mês de abril do ano 2000 tentávamos introduzir uma cachaça multidestilada no mercado brasileiro, bem como tentávamos exportá-la para alguns países que tínhamos contato, mas os negócios não iam bem. Ao levar a cachaça para um chef de cozinha francês aqui em São Paulo, sua avaliação foi frustrante:

“Você só está trabalhando com essa cachaça?” perguntou o chef, respondi que sim e ele então rebateu “essa cachaça é horrível, você não terá futuro nenhum com ela. Vou te indicar para uns amigos meus, que iniciam um negocio bem legal aqui no Brasil”.

E assim, numa segunda feira, 08 de maio de 2000 comecei a trabalhar como empregado na introdução da Veuve Clicquot no Brasil. Na quinta feira da mesma semana, fui tomar uma cerveja com o Mauricio para comemorar.

Ele ficou muito contente em me ver trabalhando com essa marca e também com a ajuda que o tal chef de cozinha havia me dado. Na mesa do bar, falavamos também sobre a empresa de cachaça, que tinha poucas chances de sucesso no formato em que se encontrava e cuja um dos sócios era parente de Antoninho da Rocha Marmo, uma criança santificada, responsável por inúmeros milagres na cidade de São Paulo.

Relembramos das diversas pessoas que tínhamos ajudado em épocas prosperas e decidimos que se um dia voltássemos a prosperar de novo, dedicaríamos parte de nossos ganhos para pesquisa e desenvolvimento de mecanismos inteligentes de ajuda humanitária, e assim, nossa monstrinha passaria a viver novamente.

Nesse instante lembrei-me de um sonho que tive, sobre uma viagem que fiz junto com a família de Marco Polo, na qual encontramos uma cidade futurística de Blemias, monstros sem cabeça que tinham suas faces no tórax.

As Blemias faziam parte de uma raça que havia evoluído dos humanos, só existiam mulheres na tribo, eram portadoras de intelecto brilhante. Em meu sonho, elas eram tão inteligentes que conseguiam sobreviver em segredo do resto da humanidade por milênios, em uma cidade nas alturas com um engenhoso projetor de hologramas que disfarçava a cidade inteira em uma montanha.
Sonho com as Blemyas - Agenda de Luiz Pagano, pagina de 11 de maio de 2000

Esse seres haviam ajudando a humanidade a chegarem no fim das guerras mundiais e a se livrarem da guerra fria nos anos 80 e 90 – a reprodução das blemias, mesmo em meu sonho, também era um mistério.

Decidimos que o nome dessa empresa de grande beneficio social seria Blemia, nada mais apropriado para uma empresa voltada ao comercio exterior, tal como Marco Polo foi, ter uma blemia, como mascote institucional. A blemia ou Blemya, como passamos a escrever, seria a empresa cuja mística de bondade em nossa sociedade seria tão grande como a do menino santo, Antoninho da Rocha Marmo.

Em 2007 eu criei um blog para a empresa, Bozzi & Pagano e também para a Blemya, já que não conseguíamos tirar a Blemya do papel ela passaria a viver virtualmente.

Meu sócio faleceu em dezembro de 2010 e nunca conseguimos reviver a Blemya em sua forma plena, ao menos na concepção que tivemos naquela quinta feira. Mas a Blemya vive – o Blog já teve perto de 200 mil acessos e grande parte de nossas idéias, algumas delas pioneiras são amplamente discutidas na internet.
Como vimos, as Blemyas existem apenas em um gênero, o feminino. A reprodução do Blemias não é mais um mistério, isso acontece quando um homem (a forma masculina para 'humanidade') ajuda outros de forma genuína.

Para mim é um grande orgulho continuar com esse projeto, eu tenho certeza que um dia viveremos em uma sociedade de pós-escassez, em que as religiões vão respeitarem umas as outras, dentro do princípio do omnismo, que vamos entender que o conceito de resíduos não existe e que a nossa proposta máxima, a de que somos indivíduos que devem interconectarem-se uns aos outros, neste planeta, com o espírito de fraternidade e ajuda mútua.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Roleta Russa Espacial

Atenção !! Cuidado com a nave espacial que vai cair entre hoje e amanhã!
Nesta edição extraordinária, a monstra Blemya, emite um alerta urgente sobre a queda de uma  nave espacial não-tripulada Progress 59, que está condenado a queimar na atmosfera da Terra nos próximos dias depois de não conseguir entregar mais de 3 toneladas de suprimentos para a Estação Espacial Internacional, o astronauta da Nasa Scott Kelly disse a repórteres em uma série de entrevistas na televisão. No video vemos vemos a Progress 59 caido rodando, despirocada, completamente fora de contole.

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A bola de fogo será brilhante o suficiente para que seja vista a luz do dia, disse Krag. Mas com mais de 70% da superfície da Terra coberta pela água, e apenas 3% da terra densamente povoada, as chances de alguem testemunhar isso, e mesmo de  ser atingido por escombros é minuscula.

Holger Krag, chefe do escritório da Agência Espacial Européia reponsavel por 'detritos em queda' em Darmstadt, disse que o risco de alguém ser atingido pela queda das partes da nave Progress são extremamente remotas. Em seis décadas de voo espacial, ninguém jamais foi atingido pela queda de hardware do espaço, disse ele.

"Ela não vai cair em um bloco só" disse ele,  a maior parte será destruida entre 80 km e 70 km de altura, e um número muito limitado de componentes têm o potencial para chegar ao solo. Estes serão espalhados por uma enorme distância, de até 1000 km, de modo que você pode encontrar uma única peça a cada 100 quilômetros,m maios ou menos", Krag disse ao The Guardian.

Mas não se preocupe!! a cada ano, 100 toneladas de objetos em orbita no espaço re-entram na atmosfera, a maioria deles queimam-se antes de atingir o solo. Os 'Defutos orbitais', apendices de naves espaciais e restos de  foguetes caem na Terra a cada semana. Objetos grandes, do tamanho da nave de carga Progress, ou até maiores, re-entram na atmosfera terrestre pelos menos, uma vez ao ano.

Como a monstinha Blamya diz - Eu estou pouco me lixando para essa nave...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Brincando de esconde-esconde nas nuvens


Cloudrunner é um tipo de 'jet sky aéreo’, que usa um invólucro de gases para obter parte de sua força ascensoral, conciliado com hélices de sustentação, como os helicópteros ou os‘drones’.
Uma das primeiras quebras de paradigmas de Santos=Dumont aconteceu no dia 4 de julho de 1898, quando voou no balão Brasil, que usava hidrogênio para obter força ascensoral em seu invólucro de 113m3, com apenas 6 metros de diâmetro, o menor balão jamais construído. Depois disso, outros tantos paradigmas foram quebrados por ele até o voo do mais pesado que o ar pelo 14Bis.

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Sem duvida, o dirigível que Santos=Dumont mais gostou foi a da ‘Baladeuse’ (carruagem em francês), no ano de1903.

Tratava-se de fato de uma ‘carruagem aérea’, com um invólucro de 220m2 de hidrogênio, impulsionado por um motor Clement Bayard de 3hp, essa maravilha chegava a 30 km/h. O objetivo de Dumont com o ‘Baladeuse’ era criar um veiculo urbano que pudesse servir de pratico e elegante transporte individual.

Desde então, muito pouco vem se desenvolvendo no que diz respeito ao transporte aéreo individual, o ‘autogiro’ e o ‘jetpack’ são os que chegam mais perto disso.

Posto que a ciência parece estar travada nesse segmento, o sonho de subir aos céus, pulando de nuvem em nuvem, 110 anos depois, ainda é um sonho distante.

Para que não se perca as, a equipe do Blog NIMPS em parceria com Blemya criaram de forma ficcional o ‘CLOUDRUNNER’, também chamado de ‘cloudrider’.

Trata-se de um tipo de jetsky aéreo, que usa um invólucro de gases para obter parte de sua força ascensoral, conciliado com hélices de sustentação, tal qual os helicópteros ou os‘drones’.

'Cloudriders' brincando de esconde-esconde nas nuvens

Os motores de ascensão do ‘Cloudrider’ não são tão exigidos para tirar a aeronave do chão, posto que um sofisticado colchão de gases, com um sistema de mistura de gases, sob diferentes pressões, quase da conta disso sozinho.

Ele atinge grandes altitudes e o vôo pode ser silencio em algumas condições atmosféricas especificas propícias para se desligarem os motores, e sua velocidade varia muito de acordo com o vento.

Segundo nossos imaginários pilotos de teste, é impossível descrever a emoção de se brincar de esconde-esconde nas nuvens, tal qual um maroto anjo juvenil, dessa forma, somente um poeta como Wallace Stevens para nos passar as doces sensações de se deleitar nas nuvens.

“Os prazeres da mera circulação

O jardim revoava com o anjo
O anjo revoava com as nuvens
E as nuvens revoavam, e as nuvens revoavam
E as nuvens revoavam com as nuvens”.
Wallace Stevens

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