sábado, 28 de maio de 2016

Similaridades entre o Cauim e o Saquê

Luiz Pagano visitou tribos indigenas para pesquisar o cauim, acima, Daimon Yasutaka explica a relação do saquê com as religiões Japonesas
As últimas pesquisas sobre o Cauim e como essa bebida poderia ser produzida em grande escala, com elevado padrão de qualidade, gerou uma série de dificuldades, que curiosamente, só obtiveram solução quando foi pesquisado os antigos métodos de produção do saquê.

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O saquê e o cauim tem muito em comum, há quase dois mil anos atrás, os  japoneses acreditavam que o saquê só poderia ser produzido se o arroz fosse previamente mastigado por virgens, conhecidas como bijinshu 美人酒 ou ʺas belas mulheres do saquê”, o mesmo acontece aqui no Brasil, tribos de quase todas etnias indígenas, contam com virgens que mastigam a mandioca e as cospem num tacho para que essa possa fermentar.

De fato, a fermentação alcoólica só acontece quando fungos transformam açúcares em álcool, tanto o arroz quanto a mandioca não contem açucares em natura, portanto não estão prontos para a fermentação alcoólica, por isso a mastigação, que não precisa necessariamente de mulheres virgens, torna-se necessária, pois a saliva humana contem uma enzima chamada amilase, que quebra moléculas de amido em açucares.

Tribos indígenas produzindo cauim em comparação com antigos japoneses produzindo o saquê

Os japoneses bebiam saquê antes mesmo de seu primeiro contato com a China. O Kojiki (古 事 記), "Registros de Assuntos Antigos", escrito durante o período Nara (710-94) sugere que o primeiro saquê no Japão foi o chamado Kuchikami no sake, (口噛みの酒) ou "saquê-mastigado-na-boca".

Outras culturas produziram vinhos de amido ao redor do mundo, o Chicha feito de milho na America central, o Cheongju um tipo de vinho de arroz da Coréia e o Hariya, também feito de arroz na Índia.

É bem sabido que muito antes da chegada dos europeus, povos da vindos Ásia já viviam nas Américas. A tribo Zuni tem deixado os antropólogos perplexos com o seu idioma, eles falam um idioma tão semelhante ao japonês que dificilmente poderia ser tida como coincidência.

Algumas palavras semelhantes, como por exemplo; 'dentro' em japonês é "uchi", em Zuni também é "Uchi", a palavra usada em japonês para o 'Sim' é 'Hai' para ambas as línguas, e assim prossegue por diversas outras palavras. Ambos Zuni e japonês usam o verbo como a última palavra de uma oração, uma característica presente apenas em 45% das línguas. Isso pode não parecer muito, mas a língua Zuni é muito diferente dentre outros idiomas falados na região.

Acima - uma roseta Zuni, abaixo - o selo imperial do Japão - Veja como a pintura facial se assemelha às mascaras de kabuki japonesas

Davis; Nancy Yaw; "O enigma Zuni," NEARA Jornal, 27:39, Verão/Outono 1993. NEARA = New England Antiquities Research Association.

Minha pesquisa sobre a produção do cauim, que iniciou-se com a mastigação, levou-se em seguida ao uso de amilase sintética e fatalmente levou-me a usar os fungos, técnica usada no Japão, bem como aqui no Brasil por produtores de Tiquira do estado do Piauí e Maranhão.

De forma metódica fui levado a visitar fabricas no Piauí, Maranhão e por fim no Japão, lugar onde tive um insight iluminador.

Sou formado em negócios internacionais, eu queria conhecer a cultura dos povos do mundo, depois da frustração inicial no mercado financeiro, tenho encontrado nas bebidas alcoólicas o veículo perfeito para me tornar íntimo do cultura dos povos. As bebidas alcoólicas vão muito além de meros fluidos que nos deixam bêbados, elas estão intimamente relacionados com a alma humana.

Tome um vinho da Borgonha e entenda o espírito de seu povo, o vinho está intimamente ligado a religião católica, é parte essencial da eucaristia e com isso, videiras foram testadas em igrejas de diversas partes ao redor do globo terrestre, gerando vinhos que exprimem de melhor ou pior forma nos mais diversos terroires ao redor do mundo.
Luiz Pagano bebendo em uma cabaça - para beber cauim e/ou suas variações os povos indígenas brasileiros seguram a tigela com as duas mãos, num gesto contemplativo como povo japonês faz.

O mesmo acontece com o saquê, que está intimamente relacionado as religiões xintoístas e budistas no japão.

As crenças religiosas tradicionais do povo japonês, tal como a maioria dos povos indígenas brasileiros, são baseadas em uma mistura de respeito pela abundância da natureza, um medo de desastres naturais e respeito por antepassados. O conceito de Deus no Japão não é o de um criador onipotente de todas as coisas como nós acreditamos no ocidente.

De acordo com Daimon Yasutaka, produtor de saquê japonês em sua sexta geração, dono da Daimon Brewery, produtora de Mukune Junmai Ginjo e Tozai honjozo e Nigorion, a frente da Associação Japonesa de Exportadores de Saquês (SEA) o "naorai", o ato de oferecer primeira dose de alimentos e bebidas aos deuses está relacionada com festas anuais, chamados "matsuri" no Japão (idéia muito semelhante é encontrada em tribos indígenas brasileiras).

Viagem de Luiz Pagano ao japão para pesquisar koji - ao lado direito - Luiz Pagano pedindo em templo budista bençãos para o projeto de Cauim

Todo esse rico envolvimento espiritual que percebi com a viagem, junto com o enorme conhecimento acumulado por centenas de anos do povo japonês, me fizeram perceber que as diversas variedades de Koji (麹菌, kōji-kin, fungos usados para substituir a saliva das virgens), junto com as múltiplas particularidades de produção, que vão muito alem da simples quebra de amido para se obter o álcool, (diferentes tipos de koji também tem a propriedade de quebrar proteínas e os lipídios, oferecendo múltiplas opções), alcançando um infinito leque de opções de sabores, que somente o espírito de um artista é capaz de conceber.

Contemplem! Um novo mundo de sabores está prestes a se apresentarem quando as primeiras garrafas de cauim começarem a saírem d diversos produtores brasileiros.

Capivaras mobilizadas para salvar os rios brasileiros

A capivara é uma embaixadora da natureza, ela se atreve a chegar às cidades brasileiras e nadar em seus rios densamente poluídos. Capivara Parade foi criada em 2008 por Luiz Pagano, com o objetivo de chamar a atenção pública para a indiferença que os administradores públicos têm com as águas brasileiras (rios e lagoas) das principais cidades.
No último dia 23 de maio, na cidade de Curitiba, foi lançado o "Capi Parade' no mesmo formato da CowParade de Pascal Knapp, no Palladium Shopping Center, "A capivara é um símbolo de Curitiba, além de ser um animal extremamente adaptável é freqüentemente encontrado em ambientes alterados pelo homem", diz a gerente de marketing Palladium, Maria Aparecida de Oliveira, que decidiu expor 8 capivaras em alusão ao oitavo aniversário inauguração do Shopping.

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De acordo com Luiz Pagano, criador do movimento 'Capivaras Parade', a mobilização pública que levou à descontaminação de rios em outras cidades do mundo, como o rio Tamisa em Londres e do Rio Han na Coréia do Sul, não aconteceu no Brasil, o 'Capivaras Parade' foi criado em 2008, com a finalidade de chamar a atenção pública para a indiferença que os administradores públicos têm para águas brasileiras.

Após o incidente de Mariana na qual a represa retendo a água com minério de ferro e dejetos de mineração contaminou rios, no estado de Minas Gerais, e alguns meses antes da abertura de Jogos Olímpicos, com as águas da baía de Guanabara completamente sujas, as autoridades brasileiras realmente mostram total inépcia com respeito ao cuidado básico que os rios e lagos de quase todas as cidades brasileiras devem ter.

E é neste cenário que a capivara aparece como uma heroína, a maior roedora do mundo que habita as florestas do Brasil, corajosamente aparece nadando em rios de cidades altamente poluídas de São Paulo e Rio de Janeiro e andando em grupos ao longo de suas margens.

"A capivara é uma embaixadora da natureza, se atrevem a chegar nas cidades e nadar nos rios e lagos que os homens degradaram, elas parecem mostrar-nos como num protesto, que os rios de nossas cidades não são latrinas, mas espaços para a vida e beleza", diz Luiz Pagano.

A exposição no Shopping Palladium em Curitiba, que começou no dia 23 de maio, vai até 5 de junho. Nos dias 4 e 5 de Junho, as crianças que passam pelo shopping poderão pintar mini-capivaras de gesso. "A intenção do Palladium é a conscientizar as crianças sobre a preservação da natureza, bem como proporcionar uma experiência lúdica de pintura", acrescenta a gerente de marketing.

Concept artist Luis Pagano na abertura do 'Capi Parade', promovido pelo Shopping Palladium - o animal é também símbolo da cidade de Curitiba, uma das cidades mais sustentáveis no Brasil

Para celebrar o Dia Mundial do Ambiente, de 6 de a 12 de junho. a Capi Parade sai em bando para a exposição itinerante em diversos pontos turísticos de Curitiba, no final da ação, as peças serão doadas e leiloadas pelo parceiro da ação, o leiloeiro Helcio Kronberg. O valor arrematado com o leilão, a comissão do leiloeiro bem como o trabalho dos artistas são doções e serão revertidos em cobertores para a Campanha Doe Calor, da Prefeitura de Curitiba realizada por meio do Instituto Pró-Cidadania e Fundação de Ação Social (FAS).

O evento também conta com a participação de celebridades brasileiras, a "Capivara Bi-articulada' teve intervenção artística do arquiteto e urbanista Jaime Lerner, em referência ao ônibus criado por ele, outra usa uma camisa da seleção brasileira de futebol que será autografada após o leilão por Pelé, o rei do futebol, com exclusiva dedicatória ao licitante vencedor.

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